Produtores de uva do Monte Alegre relatam intoxicação de parreirais por uso de 2,4-D
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Assalariados Rurais (STR) de Vacaria e Muitos Capões, Sérgio Poletto, manifestou preocupação com o surgimento de sinais de intoxicação em parreirais da região do Monte Alegre dos Campos, possivelmente causados pela aplicação do herbicida 2,4-D em áreas próximas às lavouras de uva.
Segundo Poletto, durante visitas realizadas no último final de semana às propriedades rurais da região, foram identificados vestígios claros de intoxicação, especialmente na fase de brotação das videiras. “O que estamos vendo são sinais típicos de deriva do 2,4-D, principalmente na ponta dos galhos, onde a brotação começa. Onde esse produto passa, a destruição costuma ser quase total”, alertou.
De acordo com o presidente do STR, diversos produtores de uva relataram o mesmo problema, indicando que a situação é generalizada em algumas localidades. “Conversei com vários produtores e todos relatam que os parreirais estão apresentando os mesmos sintomas”, afirmou.
Poletto informou ainda que entrou em contato com o secretário municipal da Agricultura do Monte Alegre dos Campos, que confirmou já ter conhecimento dos relatos. No entanto, segundo o presidente do sindicato, houve divergência quanto à responsabilidade do município. “Eu chamei a atenção de que sim, é competência do município. O Fórum Gaúcho de Impacto dos Agrotóxicos já deixou claro que, ao tomar conhecimento de casos como esse, a Secretaria Municipal da Agricultura e o setor de Meio Ambiente devem comunicar a Brigada Militar e o Ministério Público”, explicou.
Conforme Poletto, a partir dessas comunicações, o Ministério Público pode abrir inquérito, solicitar vistorias e análises técnicas, com o objetivo de identificar o responsável pela aplicação irregular e garantir a devida responsabilização.
O presidente do STR lembrou ainda de casos graves registrados em outras regiões do Estado, especialmente na fronteira, onde a aplicação inadequada do 2,4-D resultou na perda total de parreirais. “Há vídeos de produtores chorando, cortando os parreirais e dizendo que criaram a família naquela terra e, de repente, ficaram sem produção. A gente espera que isso não aconteça aqui no Monte Alegre”, destacou.
Poletto defendeu que o município tome providências imediatas e fez um alerta direto aos produtores que utilizam o herbicida. “Ninguém é contra a produção, nem contra o uso responsável de defensivos. Mas ninguém tem o direito de prejudicar a produção do vizinho. Quem aplicar de forma irresponsável vai ser responsabilizado”, afirmou.
Ele ressaltou que, caso seja confirmado o dano em sua própria propriedade, pretende buscar medidas judiciais. “Se for comprovado que minhas parreiras foram atingidas por 2,4-D, eu vou responsabilizar judicialmente quem causou isso. Tenho seis hectares de parreiral e, se as plantas morrerem, vou ter que substituir mais da metade delas. Quem vai pagar esse prejuízo?”, questionou.
A preocupação se estende também para o futuro da produção. Conforme Poletto, estudos de universidades como Pelotas e Santa Maria indicam que plantas atingidas pelo 2,4-D têm grande chance de não se recuperar. “O impacto pode aparecer ainda mais forte na brotação do ano que vem. A tendência é a planta morrer”, explicou.
Diante da situação, o STR de Vacaria e Muitos Capões orienta os produtores prejudicados a registrarem os casos, realizarem análises técnicas e comunicarem formalmente a Secretaria Municipal da Agricultura, para que as providências legais sejam adotadas. “Não dá para deixar assim. Perde o produtor e perde o município. É preciso responsabilidade na aplicação e ação rápida do poder público”, concluiu Sérgio Poletto.
Parreiral localidade de São Francisco – Monte Alegre dos Campos
Programa Vida Rural de 24 de janeiro de 2026, escute.









