Vacaria sedia 3º Seminário de Saúde do Trabalhador dos Campos de Cima da Serra

Vacaria sedia 3º Seminário de Saúde do Trabalhador dos Campos de Cima da Serra

Vacaria sedia 3º Seminário de Saúde do Trabalhador dos Campos de Cima da Serra

Evento reuniu profissionais, gestores e representantes de órgãos ligados à saúde e segurança do trabalhador para discutir os impactos da nova NR-1, os riscos psicossociais e os acidentes de trabalho na região

A Câmara de Vereadores de Vacaria sediou, nesta quinta-feira, dia 20 de agosto, o 3º Seminário de Saúde do Trabalhador dos Campos de Cima da Serra, reunindo profissionais da saúde, representantes do Ministério do Trabalho e Emprego, gestores públicos, integrantes da Rede de Atenção à Saúde do Trabalhador e demais participantes interessados na promoção da saúde e da segurança nos ambientes de trabalho.

Com o tema “A nova NR-1 e sua integração com as demais Normas Regulamentadoras”, o evento abordou as recentes mudanças na legislação e chamou a atenção para a necessidade de prevenção dos diferentes riscos existentes nos ambientes de trabalho, incluindo os riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos, de acidentes e, especialmente, os riscos psicossociais.

Um dos principais palestrantes foi o gerente regional do Ministério do Trabalho e Emprego, Vânius Corte, que explicou que a alteração da Norma Regulamentadora nº 1 passou a exigir uma atenção maior das empresas para os fatores que podem comprometer a saúde mental dos trabalhadores.

Segundo Corte, a mudança representa um avanço na prevenção do adoecimento relacionado ao trabalho.

> “O empregador agir para não adoecer. É isso que é a responsabilidade do empregador: não adoecer os trabalhadores, seja de doença física, seja de doença mental.”

Entre os fatores que precisam ser observados estão situações de assédio moral ou sexual, jornadas exaustivas, pressão excessiva por metas, isolamento e outras formas de organização do trabalho que possam contribuir para o adoecimento dos trabalhadores.

Corte explicou ainda que a avaliação dos riscos psicossociais não ocorre da mesma maneira que a medição de um risco físico. Enquanto um equipamento pode medir, por exemplo, o nível de ruído em determinado ambiente, os riscos psicossociais exigem uma análise de como o trabalho é organizado e de como os trabalhadores vivenciam essas condições no cotidiano.

Para o representante do Ministério do Trabalho, o primeiro passo para enfrentar essas situações é reconhecer que o problema existe.

> “Sem reconhecer, aí não tem solução. Primeira coisa é reconhecer que todos os riscos que a gente falou podem ou não estar presentes.”

A preocupação, segundo ele, deve alcançar empregados e empregadores, já que saúde e segurança no trabalho são questões que dizem respeito a todos os envolvidos na relação de trabalho.

> “Qualquer ambiente de trabalho tem que ser seguro e saudável.”

Dados mostram preocupação com acidentes no meio rural

Outro momento importante do seminário foi a apresentação dos dados epidemiológicos relacionados aos acidentes e doenças do trabalho nos municípios atendidos pelo CEREST Serra – Centro de Referência em Saúde do Trabalhador.

A apresentação foi conduzida pela fonoaudióloga Nicieli Sguissardi, gerente do CEREST Serra, que explicou que o órgão atua junto a 49 municípios da área de abrangência da 5ª Coordenadoria Regional de Saúde.

Durante o evento, foram apresentados dados referentes ao ano de 2025, com atenção especial à realidade dos Campos de Cima da Serra.

De acordo com Nicieli, a forte presença da agricultura na região influencia diretamente o perfil dos acidentes e doenças relacionados ao trabalho.

Um dos dados que mais chamam a atenção é a ocorrência de acidentes envolvendo tratores e máquinas agrícolas. Segundo a gerente do CEREST Serra, a região dos Campos de Cima da Serra apresenta uma concentração significativa desses acidentes quando comparada às demais regiões de saúde.

Para ela, os números reforçam a necessidade de ampliar as ações de prevenção e conscientização, inclusive entre os pequenos agricultores.

Nicieli destacou que medidas simples de segurança podem reduzir significativamente a gravidade de determinados acidentes. Em casos envolvendo tratores, por exemplo, a utilização correta dos dispositivos de segurança que já acompanham os equipamentos pode fazer diferença mesmo quando não é possível evitar completamente um tombamento.

> “A gente, enquanto CEREST, tenta investir exatamente nisso, na prevenção, na conscientização.”

A atuação preventiva, segundo Nicieli, precisa chegar também aos trabalhadores que estão fora das estruturas formais das empresas, como os pequenos produtores rurais, que muitas vezes desenvolvem suas atividades sem acesso adequado a orientações de segurança.

Saúde mental e segurança precisam caminhar juntas

O seminário também reforçou que a saúde do trabalhador deve ser analisada de maneira integral. Saúde física e saúde mental não podem ser tratadas como questões separadas, já que problemas em uma área podem repercutir diretamente na outra.

Nesse sentido, a nova NR-1 amplia a responsabilidade dos empregadores na identificação e redução dos fatores que podem causar adoecimento, reforçando uma política baseada principalmente na prevenção.

Além das discussões sobre a NR-1, a programação contou com atividades relacionadas à saúde mental sob a perspectiva da Vigilância em Ambiente e Processos de Trabalho (VAPT), apresentação de dados epidemiológicos e espaço para esclarecimento de dúvidas com representantes do Ministério do Trabalho.

O evento contou com o apoio da Prefeitura de Vacaria, CEREST Serra, Conselho Municipal de Saúde e Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (CISTT) de Vacaria e STR de Vacaria e Muitos Capões.

Ao final, Nicieli reforçou que o CEREST Serra está à disposição não apenas das empresas e das Secretarias Municipais de Saúde, mas também da comunidade.

> “Realmente promovendo a saúde e segurança no trabalho, principalmente na prevenção.”

O 3º Seminário de Saúde do Trabalhador dos Campos de Cima da Serra reforçou, assim, a importância da informação, da prevenção e da atuação integrada entre poder público, empresas, trabalhadores e serviços de saúde para construir ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis na região