Deriva de agrotóxicos e riscos à saúde são debatidos em audiência pública em Nova Santa Rita

Deriva de agrotóxicos e riscos à saúde são debatidos em audiência pública em Nova Santa Rita

Deriva de agrotóxicos e riscos à saúde são debatidos em audiência pública em Nova Santa Rita

O Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, em parceria com o Município de Nova Santa Rita, promoveu uma audiência pública para debater os impactos do uso de agrotóxicos, com ênfase nos problemas causados pela deriva. O encontro reuniu agricultores, autoridades, representantes de entidades e órgãos públicos para discutir soluções diante dos prejuízos enfrentados há vários anos pela produção agrícola e pela população da região.

As informações foram repassadas por Sérgio Poletto, vice-presidente da FETAR-RS, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Assalariados Rurais de Vacaria e Muitos Capões e coordenador adjunto do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos.
Segundo Poletto, Nova Santa Rita abriga uma das maiores áreas de produção orgânica do Brasil e é uma das principais produtoras de arroz orgânico do país. Nos últimos anos, agricultores vêm registrando prejuízos causados pela deriva de agrotóxicos provenientes de aplicações em áreas vizinhas, comprometendo a produção orgânica e gerando discussões que chegaram ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, onde ainda existem processos em tramitação.

Representando a FETAR-RS durante a audiência, Poletto destacou que o evento foi um importante espaço para discutir não apenas as perdas econômicas provocadas pela deriva de herbicidas, como o 2,4-D, mas também os impactos na saúde da população. Ele lembrou que situações semelhantes já foram registradas em outras regiões do Rio Grande do Sul, citando o caso de Monte Alegre dos Campos, onde produtores de uva também sofreram prejuízos decorrentes da deriva.
Durante a audiência, o prefeito de Nova Santa Rita apresentou dados que chamaram a atenção dos participantes. Conforme relatado por Poletto, o município, com cerca de 30 mil habitantes, contabiliza mais de mil pessoas com diagnósticos relacionados a doenças como câncer e transtornos do espectro autista. Os números foram apresentados como um alerta para a necessidade de ampliar estudos, fortalecer a fiscalização e adotar políticas públicas voltadas à proteção da saúde da população e do meio ambiente.

Para Sérgio Poletto, a audiência pública reforçou a importância de ampliar o debate sobre o uso responsável de agrotóxicos, a prevenção da deriva e a proteção da agricultura familiar e da produção orgânica. O encontro também fortaleceu o diálogo entre agricultores, entidades representativas, poder público e órgãos de fiscalização na busca por medidas que reduzam os impactos ambientais, econômicos e sociais causados pelo uso inadequado desses produtos.